Filthy McNasty

pack your kit, choose your hypocrite

April 29, 2008

An Outcast by Nature

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Learning hath gained most by those books by which the printers have lost”.

Um jovem amigo e bom escritor anda encalacrado com o dilema tradicional da catigoria: a dificuldade de publicar o primeiro livro. Eu li o texto e, ao menos para o meu gosto, acho que resultaria em um bom livro, embora eu não faça idéia das perspectivas comerciais que o trabalho poderia ter. Se tivesse de arriscar um palpite, though, diria que não é o tipo de livro que se transforma em best seller. O amigo marromenos concorda, e diz que estava preocupado em escrever um bom livro, e não em escrever um best seller. E aí a gente esbarra na dicotomia básica do livro qua arte (ou pelo menos qua labour of love) vs. o livro como produto (ou artefato comercial): ninguém escreve um best seller. O autor escreve um livro; os leitores criam o best seller. E as duas coisas pouco têm em comum.

Minha impressão é que todo escritor gostaria de ser autor de um best seller –mesmo que o cara não precise do dinheiro ou não ligue para ele, quanto mais gente estiver lendo o texto, melhor. A atenção e o afeto dos leitores pelas palavras do escritor são o payoff emocional que ele recebe pelo esforço. (Nojentinho que diz que escreve para ninguém deveria guardar o texto na gaveta e desfrutar das virtuosas recompensas que cabem aos amigos das árvores.) Mas acho que nem mesmo o mais formulaico desses fabricantes de best sellers em linha de montagem –digamos, John Grisham- pode garantir com 100% de certeza que não vá produzir um Edsel, dia desses.

O amigo está moderadamente furioso com as editoras, que realmente publicam coisa bem pior que o livro dele, e com o fato de que uma recomendação vinda de um figurão literário ou celebridade qualquer possa valer mais que a qualidade do texto. O amigo não vai gostar de ouvir isso, mas esse sistema de compadrio das editoras tem lá sua razão (comercial) de ser; não é pura panelinha. Se o livro é um tremendo investimento emocional e de tempo para o autor, para a editora ele é um considerável investimento de grana –especialmente as editoras de menor porte, as mais propensas a abrir espaço a autores inéditos. Por isso, uma recomendação serve, digamos, como escadinha comercial; um autor que chega indicado tem mais chance de ser criticado positivamente, resenhado ou percebido e, porque raras editoras têm verba para divulgar livro de estreante, esse fator influencia as decisões editoriais. Não é o mais justo dos sistemas. Mas sua existência tem algum motivo concreto.

Escritores, especialmente os novatos, tendem a torcer o nariz para questões de mercado; faz sentido, porque a única coisa que propicia retorno financeiro inferior ao oferecido pelo tempo dedicado a escrever um livro é passar dois anos trancado no quarto fumando maconha e ouvindo Led Zeppellin. (Pô, Filtê, seja menas autobiográfico, for cryin’ out loud.) Isso leva muitos autores inéditos a tentar forçar entrada no mercado com trabalhos que não funcionam comercialmente. Se o mano insiste em publicar contos ou poesia, ou escrever em gêneros que não tenham muita procura, estará reduzindo ainda mais as chances já escassas de publicação. Um bom contista provavelmente vai se indignar diante da miopia das editoras que rejeitam seu trabalho com o chavão “short stories don’t sell”. Mas o chavão tem alguma razão de ser, se a gente levar em conta o comportamento dos leitores. Digamos que 5% dos livros de ficção lançados no mercado sejam livros de contos; eu, como leitor, não dedico 5% das minhas compras de ficção a contos; mais, os livros de contos que termino comprando costumam ser obras de escritores cujo trabalho conheci inicialmente por meio de romances. Se o autor me é desconhecido, eu hesito muito menos em comprar um romance do que um livro de contos. Não há motivo racional para o meu comportamento. É gosto, puro e simples –e suponho que muita gente compartilhe dessa idiossincrasia. As editoras sabem disso, estatisticamente –ou seja, seus motivos para recusar determinados gêneros ou formas não são necessariamente calhordas.

Nada do que escrevi serve de consolo a alguém que tenha escrito um bom livro e não consiga publicar. Suponho que restem duas escolhas ao lunático que realmente deseje ser escritor. A primeira é encontrar uma maneira de se adaptar mais ao mercado, trabalhando em formatos mais palatáveis, encontrando um agente ou descobrindo maneiras alternativas de divulgar o trabalho (me disseram que agora existe um tléco chamado Internéte niquiq o mano pode escrever e publicar qualquer bobagem). Ou ele pode se consolar com as palavras do reverendo Fuller que citei lá em cima, “os livros que mais ganhos propiciaram ao saber foram aqueles que mais perdas causaram aos editores”. Melhor não usar a citação como epígrafe, though.

Posted by noronha at 11:44 AM



Comments

Um caminho possível é vencer estes concursos literários e/ou acadêmicos que despontam no meio universitário e além: boa parte oferece como prêmio a publicação do trabalho. Outro meio é o de pagar do próprio bolso e lançar em nichos, apenas para que o material não fique exposto à crítica dos ratos. Tem também o sistema "literatura de cordel" para os poetas, a meu ver o precursor dos blogs justamente por conta dessa proximidade que se cria entre os leitores e o autor.

Posted by: hcampos at April 29, 2008 02:09 PM


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